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Shi

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15
Jun18

A Nossa Raiz | Curta-Metragem Valete

Shi

Esta semana o mundo do hip hop português ganhou mais terreno. Foram vários os lançamentos entre eles as 1100 cegonhas do Dillaz, velhos tempos do Singa e do mano Bispo, nunca pares do Slow J com Stereossauro, Papillon e Plutonio e, por último, o som Samuel Mira do Valete.

 

Sim, o Valete lançou uma música em homenagem ao grande Sam the Kid. Espetacular, eu sei! Mas, no meio de tudo isto, o Valete lançou também uma curta metragem, baseada em factos reais, com o nome de "o 1º MC Português". E é exatamente sobre a curta que vou falar hoje. 

 

Não que todas as outras (músicas) não mereçam destaque porque obviamente que Papi e Slow J já estão em modo repeat e nunca perco uma oportunidade para ouvir Bispo. No entanto, esta curta do Valete é fora do normal. E é uma curta, por isso não há discussão! Não deixem de conhecer estes novos sons, caso não o façam vão ficar a perder, believe me. 

 

 

36 anos, Keidje Torres Lima mais conhecido por Valete, o rapper da Damaia. Pátria, nação e a essência da vida ganham voz quando interpretadas por ele.

 

"Fim da ditadura", deve ter sido o primeiro som que ouvi do Valete, não fiquei por aí e ele também não. Mais de dez anos depois continua o mesmo rapper que fez o mundo ficar louco com a "Roleta Russa". Histórias, lições, experiências e dom da palavra, são os aspectos que o definem. 

 

A curta tem uma história brilhante e um enredo ainda mais brilhante. E isto deve-se a vários fatores aliás, pessoas que concretizam esses fatores. 

 

Audio-Visual

Primeiramente, o audio visual. Se estão a ver (espero que tenham clicado aqui em cima para reproduzir o vídeo) já perceberam que as imagens transportam-nos mesmo para os anos 70. Os planos e as transições estão incrivelmente bem sucedidos e isto deve-se ao trabalho da produtora 93 Studios. Realizou, produziu e editou todos estes detalhes essenciais para o acompanhar desta história. 

 

Instrumental

O instrumental estava a cargo do Baghira & Mr Break e de X-Acto e Here’s Johnny na gravação e mistura. O início é marcado pelo flow calmo para nos deixarmos levar pela narração. Só depois, quando a voz ganha mais força, é que o instrumental aumenta e a junção é brilhante. Para além disso, são várias as vozes convidadas para narrar, com ainda mais realismo, esta história baseada em factos reais. 

 

Enredo

Por falar em história, este é um dos fatores que mais define o Valete e esta música é apenas mais um exemplo de arte no hip português. História linear, coerente, com lógica, princípio, meio e fim. Parece o ABC da questão mas não é assim tão linear. Quem sabe nunca esquece e qualquer apreciador de hip hop português identifica uma história narrada pelo Valete. Este trabalho não é excepção, recorre a dicas poderosas e expressões que revelam a riqueza do seu vocabulário. Para ser rapper é preciso ser um storyteller, como o Sam diz. 

 

Factos Reais

Quanto aos factos reais podemos retirar várias referências a datas importantes do hip hop. A história começa no dia 11 de agosto de 1973 que coincide com o data em que o hip-hop deu os primeiros passos em Nova Iorque. O segundo momento remete-nos à revolução dos cravos, 25 de abril de 1974. Por fim, a última data, faz referência ao MC Nilton, um dos pioneiros do hip hop português (intitulado 1º MC de Portugal) e é o dia em que se celebra a cultura hip hop. Apesar da importância destas datas, Valete narra-nos a história de vida do MC Nilton. 

 

Mensagem

Com todos estes factores, obviamente que a mensagem chegou a todos os que ouviram esta obra de arte. A coragem que precisamos de ter para enfrentar tudo de forma a conquistar o que ambicionamos. As datas remetem-nos a momentos da história que provam que a coragem foi a razão de tudo o que conquistaram. É simplesmente brilhante. 

 

Esta foi a minha análise depois de ver a curta-metragem no entanto, surgiram-me algumas curiosidades e obviamente que a vontade que tinha de o entrevistar aumentou exponencialmente. 

 

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