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Shi

Shi

13
Out18

A Nossa Raiz | O regresso de Sam, the King

Shi

Parou tudo que isto agora é sério! What? Como assim? Não, não estou a falar do furacão Leslie. Estou mesmo a falar do solo do Sam the Kid. Há quanto tempo esperávamos pelo momento em que voltávamos a ter um solo do Sam the Kid? O dia chegou, mais de 10 anos depois do seu último álbum, "Praticamente", e eu não podia deixar de partilhar convosco a minha opinião. 

 

samthekid.png

 

O "Praticamente" é apenas um pedaço de todo o trabalho que o Sam dedica ao hip hop português. Vendeu mais de 10 mil cópias e hoje em dia são uma relíquia. Da mesma forma que o tempo engrandeceu este álbum visto como o ABC da vida também levou para longe do ouvido os solos do mentor do hip hop português. Há muito que se concentrou na produção de instrumentais mas jamais será deixado de ser visto como o pai de todos. E quando no som "juventude é mentalidade" se pergunta "até que idade tenciona Sam continuar a ser the Kid?", eu diria para sempre. Pelo menos é o que desejo e este novo som é uma chapada de luva branca para muitos que diziam as piores injúrias. Pessoas com o talento do Sam não são substituíveis tão facilmente. 

 

Os últimos anos foram dedicados a projetos com o Bispo, Mundo Segundo, Boss Ac, Grognation, entre muitos outros. A plataforma TV Chelas ganhou consistência com o podcast "3 pancadas", partilhou vídeos inéditos e colaborou com várias dezenas de músicos e rappers. No entanto, passaram 12 anos desde que ouvimos o miúdo de Chelas a solo pela última vez.  

 

Diria eu que, depois deste silêncio emocional, o Sam veio abanar a mente dos "intelectuais"/snobs amantes de hip hop português. "Sendo assim" merece uma vénia, este som e todos os que construiram o hip hop português. Recorrendo a recursos estilísticos, aqui temos Samuel Mira, como rapper, na 1ªpessoa. 

 

 

 

Decidi recolher apenas algumas rimas e dividir esta "análise" em dois tópicos: "Auto Conhecimento" e "Nova Era no hip hop português". 

 

Auto Conhecimento 

Durante a primeira estrofe (até ao "refrão") temos a carreira do Sam pelos olhos do Sam. Durante estes anos todos questionei-me se o Sam sabia exatamente o que estava a fazer para não lançar absolutamente nada. Já aqui afirmei, várias vezes, que cresci a ouvir Sam the Kid, fez parte da minha passagem de criança para adolescente. 

 

"O meu sabor é saber o que faço
não é básico,
dou o máximo por um clássico
não é fácil,
cada frase, cada traço" 

 

 

"Tenho sede na cabeça
e a cabeça no dedo
mas quando sonho tenho medo
que adormeça" 

 

Começa por dizer que dá o máximo por um clássico mas que já tinha sede de um novo sonho. A verdade é que os álbuns do Sam são vistos como verdadeiras relíquias e passam de geração em geração de forma graciosa. Em 2006, aquando o lançamento do Praticamente, eu estava no sétimo ano e na reedição tinha 14 anos, até então têm sido sempre as mesmas músicas mas em diferentes tempos da minha vida. Se já tive várias interpretações da mesma música? Já. Se era esse o objetivo? Não sei. Se gostava de o entrevistar? Nem se pergunta! 

 

 

" Com a Sony Digital ganhei a noção da lente
para um dia ser imortal
como a nação valente
visão fluente

e é quando a mente me elucida 
a que eu siga em frente 
e nunca retroceda na subida 
o segredo para a saída não é subir altitudes
é quando aponto o importante, é quando nomeio virtudes"  

 

 

À medida que vamos ouvindo é possível encontrar várias referências ao seu trajeto no hip hop português e o reconhecimento que tem de si próprio. Como por exemplo, já no final da primeira parte, descreve a Sony Digital como quem lhe deu a noção de como um dia se tornar "imortal" e afirma que quando a mente o elucida que nomeia virtudes e traça forma de seguir em frente. 

 

 

Nova Era no hip hop português

Estamos numa era em que a palavra, e a ação, "consumo" tomou uma dimensão gigantesca. Roupa, tecnologia, lazer, obviamente que a música não fica fora deste universo consumista. Somos o que consumimos e quando todos os dias nos deparamos com coisas novas, as nossas exigências e preferências podem tomar rumos extremamente radicais. Das duas uma, ou nos tornamos o tipo de pessoa que gosta de qualquer coisa ou então esperamos ansiosamente por algo realmente bom.

 

Este "papo" todo para dizer que o mundo do hip hop e rap tuga também tomou um novo rumo. Da mesma forma que aumentou o seu público, também surgiram novos membros na nação. Na segunda parte do som, Sam the Kid começa por se interrogar "Para quê fazer um álbum se ele dura meses" e seguidamente faz a comparação subtil entre o hip hop da sua juventude e o de hoje em dia: 

  

"Os rappers eram autores cantores eram poetas e poetas eram pintores
eu soube o que é coragem quando a luz era uma réstia
eu sei que há uma miragem na indústria da modéstia
eu vim da arte da rima séria, quando o clima era intenso
uma era linda 
quando ainda ninguém ria por extenso
e hoje em dia, não há sabedoria, sem noção, sem sentes na life de mc
sem remanescentes que ainda rimam e fazem trabalhos consistentes e nunca ficam à espera que um dia tu sustentes" 

 

"É por isso que eu demoro
faço algo que eu adoro e ignoro o prazer ruim
eu não quero ser o melhor eu melhoro a fazer de mim
nunca tive uma ambição com a ilusão de uma aderência porque ter a profissão não é missão, é consequência
não me rendo à influência" 

 

Saem álbuns de hip hop como tiradas de jornais, uns melhores que outros. Nem sempre o melhor é o mais ouvido e o esforço dos artistas reconhecido mas um álbum de hip hop deve ser uma obra de arte, um pedaço de vida e um brinde à nossa língua. Numa era de consumo, o hip hop luta contra os álbuns feitos só para dar dinheiro e para estabelecer o seu lugar na nossa cultura nacional. 

 

 

"Sendo Assim" é a música que fecha a tracklist MECHELAS, a primeira compilação produzida por Sam the Kid à venda. Um projeto que conta com versos de Sir Scratch, Bispo, Grognation, Maze e muitos outros. Podem ter o vosso acedendo à loja digital da TV Chelas. 

 

 

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